Ele veste calça e camisa social, o sapato é bico fino, lustradíssimo. Ela veste um conjunto de saia e blusa de tecido brilhante, usado em ocasiões especiais. É noite de uma quarta-feira como outra qualquer, mas, enquanto a cidade começa a se aquietar, eles rodopiam pelo salão, acompanhados por outros casais de meia-idade. É assim todas as quartas, sextas e sábados na Casa do Sargento, um dos vários clubes de baile que continuam na ativa em São Paulo. Distantes dos barzinhos e casas noturnas convencionais, os freqüentadores desses locais divertem-se à moda antiga. Amantes da dança, passam horas divertindo-se ao som de bandas cada vez mais enxutas que, além de sucessos populares, recorrem sem pudor ao repertório nostálgico que caracteriza os bailes "da saudade".
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A Casa do Sargento de São Paulo foi fundada em 1947 na Zona Norte de São Paulo, e desde 1965 possui sua sede na esquina das ruas Mazzini e Scuvero. O nome do clube dá uma idéia de suas origens. Foi criado por sargentos e subtenentes das Forças Armadas e da antiga Força Pública, que reuniam-se no Restaurante Aviação, no bairro de Santana, após o término da Segunda Guerra Mundial. Como essas reuniões informais em locais públicos eram proibidas, decidiram criar a entidade, com funções assistenciais, filantrópicas, culturais e esportivas. Suas primeiras sedes foram nas ruas Riachuelo e 24 de Maio, no Centro. Para realizar grandes eventos, os militares recorriam a espaços maiores, como a Maison Suisse ou mesmo o Ginásio do Ibirapuera.
A casa que hoje abriga a sede própria do clube pertenceu à família
Ramenzoni, ex-proprietária da fábrica de chapéus do mesmo nome. Ao lado da construção original, a diretoria construiu o salão de festas que até hoje é a alma Casa do Sargento. Piso e paredes revestidos de madeira, drapeados de tecido e globos no teto, mesas espalhadas em volta da pista de dança, dois palcos, garçons circulando com drinques e porções de salgadinhos. Milhares de pessoas já passaram por este cenário. Atualmente, o clube, que já teve mais de 4 mil associados, possui 1.200 e aceita a entrada de civis, que formam a maior parte dos freqüentadores.
Dança de salão
Na opinião do presidente da Casa do Sargento, o subtenente do Exército Cristino
Gimenes, a situação salarial dos militares e o envelhecimento do quadro são alguns dos motivos pelos quais o clube perdeu associados. Com a queda na freqüência nos dias de semana, o baile das segundas-feiras foi extinto. Felizmente, a popularização da dança de salão ajuda a manter um público fiel. A própria Casa do Sargento sedia uma escola de dança, que funciona às segundas-feiras.
Nos bailes, mesmo quem não sabe dançar diverte-se assistindo a evolução dos pares na pista. Uns coladinhos, outros rodando, muitos em passos complicados demais para leigos. Flertes e namoros nascem e se desenvolvem ali, e a "liga" é sempre a dança: é na pista que o casal ganha intimidade, ao som de salsa, samba, tangos e boleros. Se os passos se desencontrarem, provavelmente o romance terá poucas chances.
Durante a noite, não é raro que alguma senhora com vestido de baile passe pelas mesas distribuindo folhetos de outros clubes, uma das formas mais populares de divulgação no meio. Uma vez iniciado neste mundo nostálgico e romântico, o freqüentador descobrirá que existem muitos bailes em São Paulo, acontecendo praticamente todos os dias da semana.
A Casa do sargento vem realizando promoções para atrair novos freqüentadores. Às quartas-feiras, a entrada é livre, e a mesa custa 6 reais. Nas sextas-feiras, homens e mulheres pagam 12 reais para entrar, mas só na primeira vez, já que levam uma carteirinha que dá direito a ingresso a 6 reais por tempo indeterminado. Para quem vai ao baile da última sexta-feira do mês, a casa também distribui convites grátis para as sextas-feiras do mês subseqüente. As mesas custam 10 reais na sexta e 14 reais no sábado. Nestes dois dias, além das porções, o cardápio da Casa do Sargento é reforçado por uma canja de galinha que já ficou famosa entre os dançarinos.
Casa do Sargento
Rua Escuveiro , 195
esquina com Rua Mazzini
Telefone: 3208-2504 / 3208-2689
Dias úteis: 8h às 18h
Bailes às quartas das 20h à meia-noite e sextas e sábados das 21h às 4h
Reportagem e textos: Nilva Bianco
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