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Parque
passou por longos períodos de abandono
Depois de adquirir o Jardim da Aclimação da família de Carlos Botelho,
em 1939, a prefeitura de São Paulo praticamente abandonou-o. O zoológico
que ali existia foi retirado, o parque de diversões foi depredado, o lago
poluído, o mato tomou conta do que antes era um gramado. Só 15 anos
depois, em 1955, na administração de William Salem, algumas reformas
iniciadas por Jânio Quadros foram concluídas: as alamedas receberam
asfalto, postes de iluminação foram instalados, foi construída a concha
acústica utilizada até hoje para shows. Em 1956 o local ganhou também o
campo de futebol.
Menos de 10 anos depois, na década de 60, as reclamações da comunidade
recomeçaram. Desta vez, no entanto, além de lixo, buracos e mato, a
preocupação era com ladrões e usuários de drogas que haviam se
deslocado de pontos mais centrais e visados pela polícia, como o Jardim
da Luz, para os bairros. A situação chegou a tal ponto que em 1969, o
jornal O Estado de S.Paulo publicou um alerta à população, para que não
fosse ao parque nem mesmo durante o dia: ... as más intenções se
escondem por detrás da vegetação espessa ou da escuridão quase total
que marcam o Parque da Aclimação.
Em 1972, já na administração Figueiredo Ferraz, o parque passou por sua
última grande reforma. Umas das providências, estendida a muitas praças
da cidade, foi a colocação de gradis em volta da área, com o objetivo
de controlar a entrada pelos seus quatro portões. Foram restauradas
benfeitorias já existentes, como o antigo ancoradouro, a concha acústica,
as pistas de bocha, as
alamedas e canteiros, a praça esportiva, que recebeu novos alambrados e
arquibancadas. Um novo playground também foi construído, aproveitando os
desníveis do terreno.
Em abril de 1986, preocupados com a cessão de áreas do parque a
particulares, realizadas durante as sucessivas gestões municipais desde a
compra do terreno pela prefeitura, a Associação
de Defesa do Parque da Aclimação entrou com um pedido de
tombamento do local junto ao
Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e
Turístico do Estado (Condephaat). Um cálculo simples amparava o pedido
dos moradores: em 1939, foram vendidos à prefeitura 182 mil metros
quadrados de área verde. Em 1986, restavam 112 mil metros quadrados. No
dia 5 de outubro de 1986, o Parque da Aclimação foi tombado pelo
Condephaat, livrando-se finalmente dos perigos de retalhamento e de obras
que ameacem sua integridade.
Atualmente,
o parque recebe de cinco a sete mil pessoas nos fins de semana. Ao
contrário dos tempos em que se chamava Jardim da Aclimação e atraía
moradores de outros pontos da capital em busca de lazer, hoje a maioria
dos seus
freqüentadores vive no bairro.
Texto: Nilva Bianco
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