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Engel Paschoal (*)

Mesmo com três dias do livro,
Brasil lê pouco e mal


Temos três datas para comemorar o livro: 29 de outubro, Dia Nacional do Livro; 18 de abril, Dia do Livro Infantil (em homenagem ao nascimento, em 1882, de Monteiro Lobato); e 23 de abril, Dia Mundial do Livro. Mesmo com tanta homenagem, nosso índice de leitura é péssimo. Confira alguns dados e fatos.

* “De vez em quando acordo pela manhã e me dou conta, com a boca amarga, de que pertenço a uma das categorias mais desprotegidas do Brasil: a dos escritores” (Renata Pallotini, “O escritor brasileiro num beco sem saída”, O Estado de S. Paulo, 15/10/04).

* Em meados de outubro, foi divulgada pesquisa do Instituto Ipsos feita em 10 países, entre eles Inglaterra, China, EUA, Brasil, França e Itália. O estudo revelou que 57% das crianças e jovens brasileiros de 2 a 17 anos passam no mínimo três horas por dia diante da televisão, enquanto que 43% não gastam nem um minuto por dia lendo livro. Até onde se sabe, os dois números são recordes mundiais.

* A pesquisa “Alfabetismo e Atitudes”, da educadora Vera Masagão, diz que o brasileiro lê, mas não entende. Um exemplo? O restaurante Dona Joaquina, de São Paulo, SP, distribuiu impresso com uma promoção. Estava escrito: “A partir das 13h30 e de R$ 7,00: grátis um suco ou uma gelatina”. Várias pessoas ligaram para o restaurante, para confirmar, “se, a partir das 13h30, é preço fixo de R$ 7,00 por pessoa”. Ninguém perguntou pelo suco ou gelatina.

* Em 2000, o PISA - Programa Internacional de Avaliação de Alunos pôs o Brasil em último lugar entre 32 países: jovens de 15 e 16 anos não passaram em leitura, interpretação e assimilação de textos. Em 2003, ficamos em 37o. lugar. Mas o número de países aumentou para 41. Atrás de nós, só Macedônia, Indonésia, Albânia e Peru.

* Dados de 2002: 44% dos livros didáticos tinham erros, segundo o MEC – Ministério da Educação e Cultura; 68% dos jovens entre 18 e 24 anos não estudavam, de acordo com o IBGE; e conforme informações da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e a Unesco, entre 16 países em desenvolvimento, o Brasil era o primeiro em repetência escolar, com 26%. O segundo, Paraguai, tinha 8,4%. No Brasil, só 32,6% chegavam à faculdade; nos demais, eram 80%.

* Segundo a CBL – Câmara Brasileira do Livro, os EUA lançam 11 livros por habitante a cada ano. A França lança 8; a Alemanha, 6,3; a Itália, 5; o Chile, 3,5. E o Brasil, 2,5 livros.

* Em 2002, a pesquisa “Retrato da Leitura”, da CBL, do Snel – Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Abrelivros – Associação Brasileira de Editores de Livros e Bracelpa – Associação Brasileira dos Fabricantes de Celulose e Papel, dizia: 16% compraram 73% de todos os livros; a maioria desses 16% tinha mais de 30 anos; só 30% leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa; 14% não liam; 11% não tinham dinheiro para comprar e 39%, tempo para ler.

* No ano passado, pesquisa da ABDR - Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, realizada com 1.430 estudantes de 13 universidades em São Paulo, SP, revelou que 32% dos alunos não compravam livros e que 99% deles tiravam cópias, imprimiam ou recebiam cópias do professor. USP, PUC e FGV lideravam o ranking das cópias. Com a falsificação, a ABDR estimou um prejuízo de R$ 350 milhões por ano, cerca de 33% do faturamento do setor. Com as cópias, a indústria deixa de produzir cerca de 10 milhões de livros por ano.

* A BS Colway Pneus, de Piraquara, na grande Curitiba, PR, fez mil assinaturas do jornal Gazeta do Povo, que é entregue na casa dos funcionários. Além disso, a empresa paga R$ 15,00 por mês para cada funcionário ler o jornal, que deve ser entregue no dia seguinte a um vizinho, procurando estimular o hábito da leitura. Em conjunto com a Gazeta do Povo, a BS Colway está organizando um programa de premiações (TV e outros eletrodomésticos) para aferir o conhecimento dos funcionários sobre assuntos publicados no jornal. Segundo Francisco Simeão, presidente da BS Colway, “os funcionários se sentem duplamente orgulhosos. Primeiro, porque eles são, na maioria dos casos, os únicos a receberem o jornal no bairro onde moram. E é bom ressaltar que muitos moram em favela. Segundo, porque, ao oferecerem o jornal lido ao vizinho, são vistos como líderes de um programa de desenvolvimento e estímulo à leitura. Enfim, o sentimento geral entre os nossos funcionários é de crescimento da auto-estima e consciência cidadã”.

Este artigo somente poderá ser reproduzido ou publicado com autorização prévia da Agência COMUNIC

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 Engel Paschoal é jornalista e dá cursos e palestras motivacionais sobre responsabilidade social.